Em casos de calamidade pública cobranças de juros podem ser canceladas
08/12/2008 · Sem Comentários
Os consumidores que residem em regiões onde foi decretado estado de emergência ou calamidade pública podem ser dispensados da cobrança de juros decorrentes de contas atrasadas. Para que essa situação ocorra, é necessário que as instituições financeiras acatem o pedido feito pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
Segundo dados da Federação, geralmente todas as instituições aderem ao pedido e suspendem as cobranças referentes aos acréscimos dos boletos. Como é opcional, nenhuma instituição sofre algum tipo de punição por não participar.
Casos Especiais
O pedido de cancelamento de taxas de juros em casos de calamidades públicas é baseado na Resolução 3180 do Banco Central, que faculta às instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Bacen, a decisão sobre a suspensão de atendimento ao público em suas dependências, nos seguintes casos:
- Estados de calamidade pública;
- Grave perturbação da ordem interna;
- Casos que possam acarretar riscos à segurança dos funcionários, dos clientes e dos usuários de serviços.
A decisão relativa à suspensão do atendimento ao público deve estar fundamentada em documentos pertinentes a cada situação, que deverão ser mantidos na sede da instituição, à disposição do Bacen, pelo prazo de cinco anos, contados da data da respectiva ocorrência.
Vale ressaltar que a decretação do estado de emergência ou calamidade pública só é válida mediante o reconhecimento do município e do Governo Federal.
Histórico
Em 1994, esse tipo de medida já foi concedida para a cidade de Caratinga (MG) devido a enchente na região. Neste caso, as instituições financeiras não cobraram as taxas de juros dos boletos.
Nesya sexta-feira (05), a Febraban recomendou às instituições bancárias associadas que dispensassem a cobrança de juros de boletos com vencimentos nos dias 24 e 25 de novembro, e pagos até o dia 28 de novembro, aos moradores dos municípios catarinenses de Balneário Camboriú, Blumenal, Brusque, Gaspar, Guabiruba, Itajaí, Navegantes e Tijuca.
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Como a crise financeira mundial afeta o bolso do brasileiro
02/12/2008 · Sem Comentários
Os efeitos da crise financeira mundial também são sentidos pelos consumidores brasileiros. Quem pensa que as conseqüências só se limitam aos investidores está muito enganado. A alta do dólar e a menor oferta de crédito, decorrentes do cenário internacional, afetam o cidadão comum e, principalmente, seu bolso.
Para se ter uma idéia, a recente valorização da moeda norte-americana pode pressionar para cima os custos de produção de fabricantes que utilizam componentes importados. Por isso, o brasileiro passa a pagar mais por itens como eletroeletrônicos. Os produtos vindos de outros países ficam mais caros.
Menos crédito
A crise também deixa os bancos em alerta. Eles deverão aumentar o rigor na concessão de crédito, mesmo com a diminuição do desemprego e o aumento da renda, que indicam que a população está com mais condições de honrar com seus compromissos financeiros. A restrição do crédito se dá por meio de uma análise melhor do cliente.
“Os prazos diminuirão para até 60 meses no máximo, para diminuir o risco de inadimplência”, afirma Crivelaro. Em determinados tipos de empréstimos, os prazos estavam bastante longos, o que fazia com que a parcela coubesse no bolso do consumidor e aumentasse a concessão, como no caso de automóveis que chegaram a mais de 90 meses.
Com uma menor oferta de crédito, o mais comum é que seu valor se eleve. “O custo dos empréstimos deve aumentar porque a tendência é do crescimento da taxa básica de juros para próximo de 15% ao ano.
Na dúvida, o que fazer?
Quem quer comprar importados, por exemplo, ainda encontra produtos que vieram para o País quando o câmbio estava mais favorável. Por isso, pode comprar agora, se tiver o dinheiro disponível para tal.
Em relação às viagens internacionais, de acordo com o planejador financeiro Hugo Azevedo, o comportamento de postergar a compra é arriscado. “Se a pessoa vai para Nova York, ver a neve durante o Natal, tem que fechar já”, explicou, completando que o local é bastante demandado e, por isso, os preços sobem. “Quanto mais próximo da viagem, mais caro”.
Quanto à compra de dólares para levar ao exterior, Azevedo recomenda que a pessoa adquira aos poucos. “Compra 20% esta semana, daqui a uma semana ou 10 dias, compra mais 10% e assim vai, até comprar tudo”.
No caso do crédito, a dica de Crivelaro é “buscar financiamentos com taxas máximas próximas a 2% ao mês”.
Para os investidores
Conforme explicou Crivelaro, em períodos de crise, o mais indicado para quem investe em ações é não desistir de tudo, ou sair da Bolsa de Valores, para não concretizar o prejuízo.
Agora, se você possui um perfil mais conservador, é melhor aplicar na renda fixa pós-fixada (CDBs, fundos DI e Tesouro Direto), porque é um “porto seguro para as nuvens cinzas da crise”, nas palavras do consultor.
InfoMoney – 25/09/2008
http://economia.uol.com.br/ultnot/infomoney/2008/09/25/ult4040u14597.jhtm
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Como proteger seu dinheiro da Crise
02/12/2008 · Sem Comentários
Como proteger seu dinheiro da Crise Financeira Mundial
Para ajudar o investidor a tomar decisões em meio a uma das mais intensas crises da história, EXAME ouviu dezenas de especialistas de bancos, consultorias financeiras, corretoras e gestoras de recursos. Suas principais recomendações podem ser lidas nas páginas a seguir.
É o momento de sair da bolsa?
Não. Para os especialistas, quem sair agora tem mais a perder do que a ganhar. Isso vale tanto para aqueles que compraram ações há mais de dois anos e o saldo de seus investimentos ainda está no azul como para aqueles que viram parte de seu patrimônio virar pó. “A bolsa pode cair mais? Pode. Mas a maior parte da desvalorização já ocorreu e, por isso, hoje, a chance de melhorar é maior”, diz Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos. Vale a pena, porém, fazer ajustes na carteira de ações. Os analistas recomendam se concentrar em empresas de grande porte e com poucas dívidas e vender papéis de empresas endividadas e que dependem de grandes volumes de financiamento para crescer.
Vou viajar para o exterior: é melhor evitar gastos no cartão de crédito?
Sim, na medida do possível. O melhor é levar dinheiro ou, dependendo do país, traveller checks para pagar contas em moeda estrangeira. Isso evita surpresas na fatura do cartão se o dólar subir demais. Existem, no entanto, exceções. Quem for fazer viagens longas, de mais de um mês, ou comprar equipamentos eletrônicos deve se planejar para pagar algumas despesas com o cartão de crédito. “O bom senso diz que é perigoso andar por aí com milhares de dólares no bolso”, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. Além disso, é bom lembrar que, para viajar com mais de 10 000 reais em espécie, é preciso declarar o valor à Receita Federal.
A alta do dólar vai fazer a inflação e os juros subirem?
É pouco provável. É verdade que a alta do dólar costuma elevar os preços dos produtos importados e pressionar a inflação. Num cenário como o atual, porém, espera-se que a economia brasileira desacelere um pouco, o que limita o risco de alta inflacionária. “Haverá maior dificuldade em repassar a desvalorização do real para os preços”, diz Alkimar Moura, ex-diretor do Banco Central e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Na opinião de diversos economistas, a inflação deve perder fôlego mesmo no caso de produtos sem componentes importados, também em razão do menor crescimento do PIB. Nesse cenário, o atual ciclo de aumentos de juros estaria com os dias contados. Não é necessário, portanto, fazer investimentos para se proteger da alta da inflação.
Com a crise, descobri que corro mais riscos em meus investimentos do que gostaria. O que devo fazer?
Deixar seu portfólio mais conservador. Mas não é preciso vender ações ou sair de fundos de alto risco para fazer isso. O conselho dos especialistas é mudar a estratégia de aplicação dos novos recursos que serão investidos nos próximos meses. Eles recomendam aplicar mais em fundos DI e CDBs para reduzir o risco total do portfólio.
Decidi vender minhas ações. Qual é a melhor forma de fazer isso?
Quem já decidiu sair da bolsa precisa tomar alguns cuidados para não errar a mão. Uma boa opção é vender suas ações aos poucos, de preferência num dia em que os preços estejam em alta. Outra forma — que é mais arriscada, mas vem se tornando cada vez mais popular no mercado — é a chamada venda coberta de ações. Essa operação, feita pelas corretoras, funciona assim: o investidor acerta hoje uma data e um preço pelo qual poderá vender suas ações no futuro (geralmente, em até um mês) e recebe um prêmio que varia de 10% a 13% do valor acertado para a venda do papel. Esse prêmio, pago por quem está interessado em comprar a ação no futuro, é a grande vantagem desse tipo de venda. “O investidor garante um rendimento interessante, aconteça o que acontecer na bolsa”, diz Ricardo Zeno, da consultoria AZ Investimentos. O problema é que, se o preço da ação cair para um patamar inferior ao acertado, o negócio é cancelado. “Ninguém vai pagar mais para comprar uma ação que custa menos no mercado”, diz.
Vou precisar do dinheiro que está na bolsa em seis meses. Devo sacar agora?
Não. Segundo os especialistas, há duas maneiras de programar a saída da bolsa — e elas variam de acordo com o perfil do investidor. Quem é conservador deve vender suas ações aos poucos até a data em que o dinheiro será utilizado. Já os mais agressivos não devem vender nada por enquanto. “É provável que, daqui a alguns meses, a bolsa esteja um pouco mais valorizada, e quem esperar terá chance de fazer um negócio melhor”, diz Marcelo Mello, da SulAmérica Investimentos.
Onde devo investir meu 13o salário ou algum dinheiro inesperado que venha a receber?
A maior parte deve ir para aplicações conservadoras de renda fixa: fundos DI e CDBs de grandes bancos. Isso vale tanto para quem é conservador como para quem tem um perfil mais arrojado. A diferença é que investidores dispostos a correr algum risco — e a deixar seu dinheiro aplicado por, no mínimo, um ano — podem destinar cerca de 15% desses recursos para a bolsa. Os especialistas recomendam comprar ações ou investir em fundos que comprem papéis de empresas de grande porte e pouco endividadas. Fundos de renda fixa prefixados são uma boa opção para poupadores de qualquer perfil que pretendam aplicar por mais de um ano, já que a tendência é que os juros caiam.
IMÓVEIS
É o momento de aplicar em imóveis como investimento?
Não. Com o agravamento da crise financeira, surgiram muitas dúvidas a respeito das previsões otimistas sobre o futuro do setor imobiliário no Brasil. Mesmo que se valorizem, imóveis têm pouca liquidez. Quando o investidor precisar vender, talvez não encontre um comprador disposto a pagar o que o imóvel vale. Tirar dinheiro de uma aplicação para investir em imóveis também traz riscos. “Se o seu dinheiro está na renda fixa, tem boa perspectiva de retorno. Caso esteja em ações, não é hora de mexer e ficar no prejuízo”, diz Caio Torralvo, professor de finanças da Fundação Instituto de Administração, de São Paulo.
Preciso fazer uma dívida elevada para comprar algo de grande valor. É melhor esperar mais um pouco?
Depende. Se esse bem for um imóvel para morar, o melhor é comprar já. “As taxas de juro dos financiamentos imobiliários ainda não subiram, mas podem subir com a crise”, diz Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do banco Real. Nos demais casos, porém, quem puder deve esperar um pouco mais antes de se endividar. “Tempos de crise trazem falta de crédito e alta dos juros. Meu conselho é deixar as coisas se estabilizarem e aí sim contrair a dívida. Com certeza, as condições de financiamento serão melhores que as atuais”, diz Júlio Martins, diretor da gestora de recursos Prosper.
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