Milionário da noite para o dia, o que fazer com os R$ 30 milhões da Mega-Sena?

Uma cena relativamente comum no País são casas lotéricas lotadas, especialmente quando a Mega-Sena acumula. Embolsar de uma só vez uma bolada de R$ 30 milhões – valor a ser sorteado na próxima quarta-feira (23) e que é o maior oferecido pelo concurso neste ano – é quase irresistível.

Afinal, quem não gostaria de se transformar em um milionário da noite para o dia? Entretanto, em meio à tamanha euforia, muitos dos tais sortudos podem se atolar em dívidas e ver suas fortunas reduzidas praticamente a zero.

Poucos são aqueles que optam por esbanjar menos e aplicar os milhões recebidos. Contudo, a tarefa vale a pena, afinal, o propósito de poupar é multiplicar ainda mais seu patrimônio e, assim, poder gastar ainda mais no futuro. Mas o que exatamente fazer com tanto dinheiro?

Realize seus sonhos, mas sem extrapolar

O primeiro passo é reservar o quanto você pretende gastar a priori. Ninguém está falando em se privar de realizar alguns sonhos de consumo, como casa e carros novos. A palavra de ordem é, sim, não extrapolar. Poucos param para pensar, por exemplo, nos enormes gastos que uma mansão incorre, como contas de água e luz, empregados domésticos, impostos, entre outros.

Reservando R$ 2 milhões para tanto, restam ainda expressivos R$ 23 milhões para você investir e garantir seu novo padrão de vida por muitos anos. Apenas como exemplo, mesmo que tal montante fosse totalmente aplicado em uma poupança – um investimento altamente seguro, mas em contrapartida um dos menos rentáveis do mercado – , seu ganho mensal seria de nada menos que R$ 155 mil!

Diversificando seus milhões

Após realizar seus sonhos de curto prazo, é chegada a hora de definir as estratégias de investimento, para que objetivos ainda maiores possam ser alcançados no futuro. Para não correr riscos desmedidos e evitar prejuízos milionários, o ideal é aplicar a maior parte da bolada em investimentos menos agressivos, que embora apresentem taxas de rentabilidade um pouco menores, não trazem riscos muito grandes.

Aqui – como em toda aplicação, por sinal – a palavra de ordem é diversificação. Ao não concentrar todo o dinheiro em apenas uma categoria de investimentos, possíveis prejuízos são significativamente minimizados. Embora não exclua totalmente a ocorrência de perdas, investir em ativos que reagem de forma diferente ao mesmo evento certamente reduz os riscos inerentes ao ato de investir.

“Pé de meia” na renda fixa

E opção é o que não falta. Excluídos os R$ 2 milhões gastos, a recomendação é que você reserve algo em torno de 70% dos R$ 23 milhões – o que daria R$ 17,5 milhões – para serem alocados de forma mais conservadora no segmento de renda fixa, que possui diversas categorias para todos os gostos e perfis. Uma das mais recomendadas para um milionário da Mega-Sena seria a de fundos referenciados DI, que por ser composta de aplicações pós-fixadas, deve se beneficiar do ciclo de aperto monetário que vive o Brasil neste momento.

Por fim, os outros 15% do que você destinou a investimentos em renda fixa podem ser alocados de acordo com o seu perfil. Fundos tradicionais, compostos por títulos pré-fixados também são interessantes, assim como os fundos multi-índices, que, ao aplicarem nos mercados futuros de diversos índices, proporcionam retornos atrativos.

Arriscando um pouco mais

Feito seu “pé de meia” para o futuro, arriscar um pouco também é aconselhável, visto que aplicações mais agressivas podem ter retornos vultosos no longo prazo. E com tantos milhões investidos em categorias mais conservadoras, você estaria devidamente protegido quanto a eventuais prejuízos que possam vir a ocorrer e bem posicionado para multiplicar ainda mais seu patrimônio.

Para aqueles que não estão acostumados com o mercado de ações, que não costumam acompanhar de perto o andamento das bolsas ou mesmo para aqueles que não têm muito apetite pelo risco, uma opção interessante são os fundos multimercados. Mais expostos ao risco do que fundos como renda fixa e DI, tais aplicações, em contrapartida, apresentam um potencial de ganhos maior, sem incorrer no risco de uma exposição total em fundos de ações.

Reservar 20% de seu patrimônio a tal categoria é o ideal, enquanto que os fundos de ações passivos podem receber 10% do montante. Mas se você se considera uma pessoa de perfil arrojado, uma alternativa são os fundos de ações ativos, cuja performance dependerá inteiramente de suas escolhas e que, portanto, são recomendados apenas aqueles que possuem maior familiaridade com os mercados financeiros.

O câmbio é outra vertente dos mercados em que seu dinheiro também pode ser aplicado. Mas aqui, atenção à trajetória do dólar: em tempos de depreciação da divisa norte-americana – como o atual – a alternativa não é muito indicada. Em contrapartida, uma tendência de valorização da moeda estrangeira pode significar um bom momento de se aplicar em fundos cambiais.

Escritor da dicas de como ficar milhionário

Quem nunca sonhou em ganhar R$ 1 milhão sem necessariamente participar de um reality show ou acertar os números da mega-sena? Se a sorte não vem, a disciplina pode ser uma aliada. É o que defende o casal Regina e Marco Falcone, que, após decidir pelo ato de poupar, chegou ao primeiro milhão.
Em entrevista à FOLHA, Marco, que é engenheiro mecânico e já chegou a dar aulas particulares para incrementar o orçamento, defende a educação financeira como porta de entrada ao clube dos milionários.

Há um segredo para se chegar ao primeiro milhão?

O básico é ter disciplina, planejamento e correr atrás da educação financeira, que, infelizmente, não aprendemos. Nossos pais não receberam educação financeira, por conta da inflação. E não podemos esperar muito, pois hoje em dia as pessoas mal acessam a educação formal.

Contar os centavos faz a diferença?

Uma vez que a minoria da população recebe altos salários, normalmente as pessoas acabam consumindo de maneira intensa e enraizada, gastando mais do que podem e devem. Quando você se predispõe a juntar uma alta quantia que vai trazer a independência financeira, precisa ter um controle rigoroso sobre seus gastos. É necessário colocar no papel o orçamento de casa, controlar o dinheiro, para onde ele vai, e verificar as despesas que você pode reduzir. Por outro lado, não podemos deixar de gastar com as coisas que nos deixam felizes.

Mas como obter essa ”felicidade” sem sacrificar o orçamento?

É tudo uma questão de análise e, fundamentalmente, de planejamento. Por exemplo: se uma pessoa quer viajar para a praia, ela não precisa tomar essa decisão dois dias antes. O segredo é economizar e, no lugar, analisar com o que vai gastar mais. Na praia, se o maior gasto for com alimentação ou cerveja, por exemplo, por que não levar esses itens na bagagem? O que defendo é o consumo inteligente. Funciona.

No livro, o senhor se refere ao consumo inteligente. Não podemos gastar muito com o lazer, então?

Não é não gastar, mas a pessoa se programar com antecedência e saber gastar. Não trocamos de celular toda hora, todo mês, porque o que o aparato traz é a comunicação. MP3, vídeos e fotos são predicados dispensáveis, pois não vamos utilizar toda a tecnologia contida no celular. O mesmo vale para o carro, que não deve ser sinônimo de status e sim de transporte, locomoção, apenas isso. Não devemos olhar para o vizinho, que trocou de carro, e decidir fazer o mesmo. Você acaba perdendo dinheiro.

E no dia-a-dia, precisamos aprender a fechar a mão?

As economias do dia-a-dia também são muito importantes. Qualquer dinheiro que você guarde durante o mês, pode resultar, no final do mês, num montante a ser aplicado no Tesouro Direto, por exemplo.

No livro, o senhor compara o ato de poupar a um regime. Contextualize.

Comparo o ato de poupar a um regime porque a situação é bastante similar: poupar exige disciplina. Quando a pessoa engorda e emagrece, ela não descobriu o verdadeiro motivo para emagrecer. O mesmo vale para o dinheiro: pensar em economizar não é direcionar energias apenas para o ato benéfico de poupar. O que nos motivou a ganhar dinheiro foi a esperança de um dia ter tempo suficiente para cuidar dos filhos que viriam. Hoje, eu e minha esposa temos dois filhos e pensamos em ter três. Viemos de famílias pobres e objetivamos guardar dinheiro o mais rápido possível para ter tempo de cuidar das crianças que queríamos. Esse é um motivo bastante forte e concreto. É a história do regime: você precisa de muita vontade interna para conseguir emagrecer e chegar no seu objetivo.

Recentemente, a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, revelou que vai ser criado um plano de educação financeira para os brasileiros. Enquanto o projeto não é votado, qual dica passa aos potenciais ”poupadores”?

Primeiramente, a pessoa deve analisar de que ela precisa, quanto ela tem disponível, se é conservadora ou gosta de emoções fortes, vendo o dinheiro dela crescer rapidamente. Eu e minha esposa transitamos entre o conservador e o arrojado. Nesse sentido, deixamos 55% em renda variável e os outros 45% em renda fixa. Quem não possui experiência, recomendo começar com renda fixa e, dentro da renda fixa, tesouro direto. É seguro, você consegue depositar valores por volta de R$ 200, as taxas de administração são baixas, dependendo do banco que escolher. Deixar na poupança eu considero loucura e o Fundo de Renda Fixa com o banco também não funciona: o banco compra títulos do governo, monta um fundo e repassa para o cliente, sendo que você pode fazer isso por conta própria.

Thiago Nassif – Folha de Londrina

O QUE É UM “TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO”?

UM PLANO DE CAPITALIZAÇÃO É uma forma de guardar dinheiro, por um prazo previamente determinado, com direito, a concorrer a prêmios.

MAS COMO SE FORMA O VALOR DE RESGATE DO TÍTULO?

Sobre parte de cada pagamento e do saldo acumulado, aplica-se atualização monetária e juros, formando o valor de resgate do título.

QUAIS AS VANTAGENS QUE UM TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO OFERECE?

Além da possibilidade de sorteio, a compra de um título de capitalização significa, antes de tudo, compromisso de guardar dinheiro. É uma das alternativas para realização de algum projeto especial que exija planejamento.

E COMO SE FORMA O VALOR DOS PRÊMIOS DE SORTEIO?

Uma parte do pagamento é destinada ao sorteio. Assim, o título de capitalização pode oferecer premiações ao longo de um determinado prazo, lembrando que as chances no sorteio são iguais pra todos os participantes.

O QUE OS BANCOS FAZEM COM OS VALORES A SEREM DEVOLVIDOS AOS CLIENTES?

Os recursos são investidos segundo regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, com a fiscalização da SUSEP e servem de garantia ao resgate do título.

MAS O QUE É PRAZO DE CAPITALIZAÇÃO?

É o período em que os valores depositados são capitalizados. O prazo mínimo estabelecido pela legislação é de um ano. O título de capitalização é uma forma de guardar dinheiro a médio e longo prazo.

E O QUE É PRAZO DE CARÊNCIA?

É o período mínimo em que em você deve deixar o valor aplicado. Somente após este prazo, o saldo acumulado pode ser resgatado.

MAS O QUE ACONTECE SE UM TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO FOR RESGATADO ANTES DO FINAL DO PRAZO?

Com o resgate antes do final do prazo, perdem-se alguns dos benefícios do título, como por exemplo, sua participação nos sorteios. Além disso, frequentemente, o valor a receber será menor do que o total pago.

E NO FINAL DO PRAZO DE CAPITALIZAÇÃO?

Na maioria dos títulos, o valor de resgate será igual ou maior do que o valor pago, autalizado pela TR.

O TÍTULO PODE SER TRANSFERIDO?

Sim. O título pode ser transferido, desde que a empresa de capitalização seja comunicada formalmente. Esta transferência é totalmente gratuita.

E SE OS PAGAMENTOS DO TÍTULO NÃO ESTIVEREM EM DIA?

O título não pode concorrer a sorteios até que os pagamentos sejam regularizados.

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