Bovespa sofre a maior queda em 10 anos

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) estendeu seu pregão por meia hora e sofreu a maior queda desde 10 de setembro de 1998 amargando perdas de 11,39%, . O câmbio disparou, e após uma pesada ação do Banco Central, fechou a R$ 2,16.

Os investidores tiveram um alívio apenas momentâneo com as medidas trilionárias para resgatar o sistema financeiro. Hoje, o foco se concentrou sobre a “economia real”: a perspectiva de que as economias centrais entrem em recessão, com repercussões sobre o restante do planeta.

A Bovespa acionou novamente o “circuit breaker”, às 14h24, interrompendo o pregão por meia hora. O intervalo não foi suficiente para os investidores se acalmarem: o índice Ibovespa continua a sinalizar quedas cada vez maiores e no pior momento do dia, apontou uma retração de 14,72%.

Na Bovespa, as ações líderes, Vale e Petrobras, tiveram baixas na casa dos dois dígitos, de 15,16% e 12,08%, respectivamente.

O dólar fecha em alta mesmo com a intervenção do Banco Central

O dólar fechou em alta nesta quarta-feira, acompanhando a piora dos mercados acionários com o aumento dos temores de uma recessão econômica mundial. A moeda americana fechou cotada a R$ 2,164, com valorização de 3,29%, após ter chegado a disparar quase 5% durante o dia.

Dados divulgados nesta quarta-feira apontaram a maior queda nas vendas no varejo em mais de três anos e a pior atividade manufatureira em Nova York desde o início da leitura, em 2001. Esses indicadores contribuíram com a piora dos mercados acionários dos EUA, que caíam mais de 5%.

Na Europa, após dois dias de euforia, o mergulho das bolsas superou 6%, enquanto, no Brasil, a Bovespa chegou a interromper os negócios, após desabar 10%.

Com o pessimismo global nos mercados brasileiros, o Banco Central realizou uma série de intervenções nesta sessão.

Além do US$ 1 bilhão vendido em dois leilões de venda de dólar com compromisso de recompra, outro US$ 1,282 bilhão foi vendido em um leilão de swap cambial tradicional. A autoridade monetária ainda fez um leilão de dólares das reservas.

Nesta quarta-feira, foram divulgados novos dados sobre o fluxo cambial do país, que ficou negativo em US$ 1,089 bilhão nos oito primeiros dias úteis de outubro.

Ministro diz que Dólar a R$ 2 é bom para exportadores brasileiros

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse hoje que o dólar a R$ 2 é um bom patamar para as empresas exportadoras brasileiras.

O ministro, que participa do Fórum de Diálogo Ibas (Ibas) – grupo que reúne Brasil, Índia e África do Sul -, na capital indiana, Nova Déli, afirmou que esse era o desejo dessas empresas durante o período em que o dólar variou entre R$ 1,60 e R$ 1,70.
Mas, segundo ele, a atual situação do câmbio, em que o valor do dólar varia a cada instante, não é benéfica para os exportadores.

“Você tem um comportamento da moeda muito errático. [O dólar] vai para R$ 2,40, para R$ 2,10, para R$ 2,20. Ninguém faz negócio numa situação como essa. Todo mundo pára e espera para ver o que vai acontecer”, afirmou.

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