O que você faria com um milhão de reais?

Alemão o vencedor do BBB7 faturou o tão sonhado prêmio de 1 milhão de reais, muita gente acredita que com R$ 1 milhão no bolso, todos os problemas do mundo sumiriam e a vida seguiria às mil maravilhas. Em vésperas de sorteios da loteria e da Mega-Sena, ou em dia de decisão de reality show, você já deve ter sonhado com o que fazer com esse dinheirão. Um apartamento de cobertura na cidade, uma mansão na praia, carros importados na garagem, jantares caros e viagens a lugares paradisíacos. E, no final de um mês, essa bolada teria sumido…

 

Controle-se

A coisa mais importante a ser feita antes de sair gastando muito dinheiro é planejar a melhor alocação para ele. E isso vai depender muito de cada caso. A decisão de quanto consumir está relacionada com o nível atual de seu patrimônio. Se você já acumulou bastante durante sua vida, certamente não irá precisar gastar muito.

 

Nesse caso, a melhor decisão é investir bem o dinheiro e aproveitar seus rendimentos. A rentabilidade média mensal dos Fundos DI, um investimento conservador, descontando os impostos e assumindo um prazo de aplicação inferior a seis meses, vem sendo próxima a 0,80%. Aquele R$ 1 milhão aplicado deverá lhe fornecer uma renda mensal mínima de R$ 8 mil, o que não é nada desprezível.

 

Mas, para você que, como a maioria da população, talvez não tenha tanto dinheiro guardado, será que não seria bom gastar um “pouquinho”? Sim, mas com cautela. É preciso ter controle! Dessa forma, a sugestão é consumir no máximo 30% do total, ou R$ 300 mil. Dá para comprar uma boa casa, trocar de carro e ainda ajudar alguns parentes e amigos. E não se esqueça de aplicar o resto, os outros R$ 700 mil.

 

Em primeiro lugar, a questão-chave é a preservação de seu patrimônio. Desse modo, a dica é investir a maior parte em aplicações tradicionais, onde você não corre grandes riscos. Dentro desse segmento estão os fundos DI, imóveis e os fundos de renda fixa. Por outro lado, é ainda possível aumentar o seu patrimônio aplicando em investimentos um pouco mais arriscados, como fundos de ações, fundos cambiais e fundos multimercado.

 

Preserve o que é seu

A parcela destinada à preservação do patrimônio deve ficar em torno de 60% a 70% dos R$ 700 mil, ou R$ 420 mil a 490 mil. Uma das melhores alternativas são os Fundos Referenciados DI, que são aplicações pós-fixadas, que se beneficiam das taxas de juros ainda altas no Brasil, investindo a maioria de seus recursos em títulos públicos. Além disso, trata-se de um investimento com um baixo perfil de risco e com uma boa rentabilidade. A recomendação é destinar 35% do total (R$ 245 mil) para este tipo de fundo.

 

Uma alternativa que pode se mostrar interessante é o mercado imobiliário, que vem se mostrando aquecido com o ciclo de queda das taxas de juros. Desse modo, seria razoável investir cerca de 20% do total (R$ 140 mil) em imóveis, priorizando os conjuntos comerciais que, dentro das possibilidades, oferecem um retorno maior.

 

Lembre-se que nessa categoria você não deve incluir os imóveis de uso próprio, já que não se tratam de um investimento. Atualmente os aluguéis de imóveis rendem mensalmente cerca de 0,8% do valor do imóvel, mas isto vai depender da localização e estado do imóvel.

 

O restante destinado à conservação de seu patrimônio, os outros 15% (R$ 105 mil), pode ser direcionado para os fundos de renda fixa tradicionais, que são aplicações pré-fixadas, nas quais a rentabilidade já está previamente determinada. Uma alternativa interessante são os fundos renda fixa multi-índices, pois aplicam nos mercados futuros de vários índices, permitindo em geral um retorno melhor do que o dos fundos DI. Lembre-se que, apesar de se tratarem de investimentos de perfil conservador, sempre vale a pena diversificar, evitando colocar todos o seu dinheiro em uma só aplicação.

 

O bolo pode crescer

Existe ainda a possibilidade de fazer com que todo esse montante aumente no longo prazo, investindo em aplicações mais arriscadas. No caso, as opções são ações, fundos cambiais e multimercados que, mesmo sendo arriscadas, oferecem um bom potencial de valorização no longo prazo, bem maior que as aplicações tradicionais. Mesmo assim, não é aconselhável que a parcela destinada ao aumento do patrimônio passe de 30%, ou R$ 210 mil.

 

Acreditamos que aplicar 20% em ações seja bastante razoável, uma vez que a tendência de valorização é bem alta no longo prazo. Podemos dividir o investimento em ações em três formas distintas.

 

Primeiramente, existem os fundos de ações passivos, que acompanham a variação do Ibovespa, que é o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Neste sentido, você não precisa ficar se preocupando com ações específicas, já que o desempenho é dado pelo índice. Talvez esse tipo de fundo mereça 10% do total, equivalente a R$ 70 mil.

 

Arriscando um pouco mais

Outra possibilidade é investir em fundos de ações ativos, que têm um perfil mais agressivo, e sua performance dependerá do administrador. Portanto, todo cuidado é pouco na escolha do administrador. Já que se trata de um investimento com um risco maior, não aplique mais do que 5%, ou R$ 35 mil.

 

Investir em ações pode não agradar a todo mundo. Muita gente ainda se sente desconfortável com o excesso de exposição. Porém, uma alternativa interessante pode ser os fundos multimercados com renda variável, que são aplicações que investem em renda fixa, câmbio e ações, diversificando o risco.

 

Uma outra maneira de diversificar, portanto, seria aplicar em fundos cambiais, que investem em títulos públicos atrelados ao dólar. Além dos juros, você também ganha caso ocorra uma valorização do dólar frente ao real. Sugerimos aplicar o restante dos R$ 700 mil, os R$ 70 mil que sobraram.

 

Para quem não quer se expor muito ao mercado de câmbio, uma opção interessante pode ser o investimento em fundos multimercados sem renda variável, pois aplicam não só em câmbio, mas também em renda fixa. Esta aplicação pode ser interessante neste momento em que o real atravessa uma tendência de apreciação.

 

Após uma boa alocação do seu patrimônio, você certamente não se arrependerá de ter deixado de consumir inicialmente todo o dinheiro. Um real economizado hoje vale muito mais daqui a alguns anos. Pense bem nisso, pois será possível trocar gastos maiores hoje por um excelente padrão de dívida durante toda sua vida.

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