PC velho dá dinheiro a colecionadores

Na primeira aquisição para sua coleção, Sellam Ismail lotou o porta-malas de seu carro com computadores velhos.

Anos mais tarde, essa coleção de computadores, impressoras e componentes antigos está abrigada em uma série de prateleiras altas de um armazém de 400 metros quadrados perto do Vale do Silício. E ela vale dinheiro de verdade.

“Tem havido uma tendência de alta acentuada nos preços, nos últimos 12 ou 18 meses”, disse Ismail, 38. “Os computadores antigos parecem estar se tornando um novo objeto de coleção para as pessoas endinheiradas. Antes, só nerds e praticantes de hobbies se interessavam por eles.”

Ele recentemente ressuscitou um computador Xerox Star produzido um quarto de século atrás, para ser usado como prova em um processo relativo a patentes.

O orgulho de sua coleção é o Apple Lisa, um dos primeiros computadores (lançado em 1983) dotado da interface gráfica que se tornou padrão até hoje. Itens como esse atingem preços de mais de 10 mil dólares.

PORCOS

Em um galpão no norte da Califórnia que também serve de abrigo a porcos, Bruce Damer, 45, conserva uma coleção que inclui um supercomputador Cray 1, um Xerox Alto (um dos primeiros microcomputadores, introduzido em 1973) e protótipos iniciais da Apple.

“Para mim, o fascínio desses artefatos é que eles são como a história viva –especialmente se for possível mantê-los em funcionamento–, e representam as principais inovações que afetam nossas vidas agora, no século 21”, disse Damer. Ele é dono de uma empresa que produz simulações tridimensionais para a agência espacial norte-americana.

“Esses artefatos também representam os ‘caminhos não percorridos’, quando vemos projetos e interfaces gráficas que de certas maneiras são até melhores do que aqueles que temos hoje, mas por algum motivo não deram certo.”

“SENTINDO” A HISTÓRIA

Como em outros hobbies, os entusiastas vasculham sites e o eBay à procura de ofertas, participam de sessões de troca (onde velhas máquinas ocasionalmente são demonstradas) e usam informações dos amigos para encontrar peças raras. Alguns itens custam apenas alguns dólares, mas as jóias desse mercado valem milhares de dólares.

A demanda privada torna mais difícil aos museus obter certos modelos. “É difícil. Eles estão se tornando muito mais valiosos agora”, diz John Toole, diretor executivo do Computer History Museum, em Mountain View, Califórnia.

Alguns colecionadores expõem seus tesouros em extensos sites, como Erik Klein, engenheiro de software do Vale do Silício, em http://www.vintage-computer.com.

Em Livermore, Ismail diz que sua vasta coleção de mais de 2 mil computadores, milhares de livros, monitores e incontáveis engenhocas eletrônicas vale mais de 500 mil dólares. Mas ele enfatiza que o verdadeiro valor é histórico, não monetário.

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