Como a crise mundial afeta o Brasil?

Como a crise mundial dos EUA afeta o Brasil?

A crise financeira que começou há mais de um ano nos Estados Unidos como uma crise no pagamento de hipotecas se alastrou pela economia e contaminou o sistema mundial. Banco atrás de banco por lá apresentou perdas bilionárias, outros chegaram a quebrar. Na Europa também há vítimas. E no Brasil? Por aqui, a crise não afeta ninguém diretamente –os bancos dizem não possuir papéis ligados às hipotecas–, mas atinge vários setores por causa da forte contração de crédito.

As quebras e os problemas enfrentados por bancos até então considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de “crise de confiança”. Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular –quem possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Isso fez cair e encarecer o crédito disponível. E numa economia globalizada, a falta de dinheiro em outro continente afeta empresas no mundo todo.

Crise financeira começou com a concessão de créditos de alto risco no setor imobiliário

Com a circulação de dinheiro congelada e o consumo comprometido, o resultado esperado é a contração das economias, uma vez que empresas, pessoas físicas e governos passam a encontrar dificuldade em financiarem seus projetos. Justamente para injetar liquidez (dinheiro nos mercados) os Bancos Centrais fazem leilões de moeda e criam linhas especiais de bilhões de dólares.

No Brasil, é exatamente esse o principal efeito da crise: a dificuldade em se obter dinheiro. Grandes empresas que dependem de financiamento externo passam a encontrar menos linhas de créditos disponíveis, afinal, os bancos têm medo de emprestar em um contexto de crise. Por conseqüência, com a dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construção dessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao país.

Até mesmo os bancos começam a sofrer com a dificuldade de captar recursos no exterior, o que deve fazer os empréstimos ficarem mais caros e mais difíceis também para as pessoas físicas. Por conta disso, as instituições de médio e pequeno porte já tiveram ajuda do governo brasileiro.

Para reduzir os efeitos da crise internacional, o BC (Banco Central) anunciou mudanças nos depósitos compulsórios das instituições financeiras, um dos instrumentos usados para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.

Escassez de dinheiro em circulação dificulta investimentos de governos e empresas

Por meio do depósito compulsório, o órgão obriga os bancos a depositar em uma conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança. Assim, quando reduz o compulsório, o BC dá aos bancos mais dinheiro para emprestar aos seus clientes.

Ainda na esteira da contração do crédito, outra conseqüência da crise nos EUA é haver alguma desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Isso porque o consumo das famílias e o investimento das empresas, dois dos principais pilares de expansão da economia nos últimos anos, cresceram justamente pela farta oferta de crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é menor.

Também serão afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar –e menos população com capacidade de consumir.

Por isso, o governo anunciou linhas especiais de financiamento para os exportadores. Além disso, tem injetado milhões de reais por meio do alívio dos compulsórios. Por meio do depósito compulsório, o Banco Central obriga os bancos a depositar em uma conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também já declarou que o banco de fomento conta com dinheiro suficiente até a primeira metade de 2009 para fazer face à escassez de crédito internacional.

Por fim, pesa a alta do dólar –em momento de crise, a cotação sobe porque a moeda americana, considerada um investimento seguro, tem mais procura. E o dólar mais caro encarece os importados, o que pressiona a inflação e reduz o poder de compra. Para segurar o câmbio, o BC tem feito uma série de leilão de dólares. Com mais oferta de dinheiro, menos a demanda pressiona a cotação.

Mercado de capitais de todo o mundo acumula perdas com a crise financeira

Bolsa de Valores

Um dos reflexos mais visíveis da crise, porém, é a forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz os investidores tirarem mais dinheiro.

Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender –oferta elevada–, os preços dos papéis caem e os índices (que refletem os valores das ações) desvalorizam.

14 comments

  • é seguinte, precisamos fazer uma dissertação para a aula de português. Seria possível mandar as principais consequencias e os beneficios que o Brasil está enfrentando com a crise mundial. Queriamos também saber as principais causas dessa crise que está abalando o mundo. Muito obrigada desde já!
    Abraços

  • Eu acho isso um horror, precisam parar com isso!
    muitas gratias.

  • eu ahco legal!é maneiro

  • Raquel

    Olá .. gostaria que me explica-se o pq a crise chegou no Brasil

  • isso ai é noix demoro jah é soiiiiiii

  • Marcela

    Segundo meu tio que mora na espanha oBrasil é visto como um pais “livre” da crise…comparado com as grande potências mais afetadas !!
    a crise chewgou a brasil pq estão deixando de compra a nossa matéria prima por falta de dinheiro e pq nós estamos deixando de exportar as frutas verdura e tudo mais…
    naum sei ao certo c eh isso..
    mais sei la..
    rs beijos !!

  • wanilza santos

    Por que é uma crise global e direta ou indiretamente afeta á todos os países…..

  • Ana Eliza

    o que leva a crise mundial a afetar todos os paises,nao importando a localidade em que ele se encontra???big beijooos

  • larissa

    52631445522

  • Nessa crise nos podemos observa gue os países não estão preparados para uma crise dessas.

  • assendino simplicio de paula

    O brasil é um pais em desenvolvimento forte e seguro, quem aposta nele só faz ganhar.Essa crise serviu para mostrar aos brasileiros o quanto o brasil cresceu e se estabeliza para ser uma grande nação ou seja uma potência mudial. tenho orgulho de ser brasileiro, tenha voce tambem.

  • RONNEY

    Gostaria de saber como o brasil fica, sabendo que varios paises do mundo todo estao em estado de emergencia e também
    o que o brasil tende fazer pra ficar fora dessa crise,
    sem que o país seja mais afetado do q já foi multinacionais
    dispensando funcionarios , dando feris sem data pra retornar a trabalhar.
    agradeço a resposta

  • gostaria de saber ser no brasil vai morrer muitas pessoas

  • CARLOS ALBERTO DE CASTRO JACQUES

    Pior dia da indece bovespe 5,72% crise globalizada juros aumentaram mais e mais cuidados investidores por carlos jacques

    A ciranda financeira dos mercados desregulados agrava a instabilidade global que ronda a economia internacional. Uma vez mais, os Estados Unidos frearam a ajuda dos países vizinhos, para impor as suas regras através do Fundo Monetário Internacional (FMI). Já no início de 2007 surgiam os primeiros sinais dessa crise aguda naquele país, o que não demorou muito a acontecer. A crise estava aí e não demorou muito para que seus efeitos fossem sentidos no mundo inteiro.
    Todos sabem que o Fundo é uma agência obsoleta para os propósitos de regulação financeira internacional, que se limita a seguir a orientação do Tesouro americano. Este tenta impor as regras, mas não funciona bem como emprestador internacional de última instância. Na verdade não pode fazê-lo porque é devedor e não credor, como no após guerra. Entretanto, o maior país credor da atualidade, o Japão, aprofunda sua crise e a banca japonesa, por razões de equilíbrio patrimonial, ameaça retirar o dinheiro investido em títulos da dívida pública americana. Assim a instabilidade cambial internacional aumenta e os mercados financeiros desregulados contaminamse uns aos outros, podendo, no caso de agravar-se a crise japonesa, conduzir a uma crise global.

    Outros sintomas da crise internacional começam a aparecer. Previsões recentes reduzem pela metade o crescimento em alguns países. Segundo previsões otimistas, como as do Fundo Monetário Internacional, os mercados financeiros só estarão plenamente restabelecidos a partir de 2010. A despeito da dificuldade de avaliação, não há dúvida que a crise provocou e provocará fortes impactos negativos na produção e no comércio mundial.

    No âmbito da economia mundial, algumas previsões dão conta da desaceleração do crescimento que passará de 4,9%, em 2007, para 3,7% e 3,8%, respectivamente em 2008 e 2009. Existe ainda o cenário de que o crescimento mundial possa ficar abaixo de 3% em 2008 e 2009. Se estivermos diante de uma crise de insolvência, provavelmente se materializará o cenário desfavorável, representando o fim da atual fase de expansão da economia mundial. No que diz respeito à economia dos EUA, principal “locomotiva” do sistema, verificou-se a rápida e forte desaceleração do nível de atividade, dado que a crise mobiliário-financeira afetou negativamente o consumo das famílias e os investimentos totais, mais especificamente os investimentos em residências. As previsões do FMI para a economia dos EUA são de que o PIB deverá crescer apenas 0,5% e 0,6%, respectivamente até o final deste ano e também em 2009. Cenário este que caracterizaria uma prolongada fase de recessão econômica.

    Além disso, os preços de exportação da indústria de informática despencam. Os preços do petróleo, cobre, grãos, estão em queda livre por excesso de oferta, apesar das baixas taxas de juros. A deflação de ativos está conduzindo à recessão e deflação de preços. A situação tornou-se crítica a tal ponto que em janeiro de 2008 o presidente Bush anunciou um pacote de incentivos fiscais da ordem de US$ 150 bilhões. O pacote de incentivos fiscais constitui-se na restituição de impostos, a milhões de contribuintes.

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